domingo, 8 de março de 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Recado para a saudade.
Acordei com a cabeça apoiada no seu ombro esquerdo, percebi que meus cabelos cobriam a sua clavícula. Já te disse o quanto eu gosto de clavículas? Poderia ficar a manhã toda daquele jeito, paralisada, mas eu tive que ir embora cedo. Arranquei forças pra levantar da cama, encarei o relógio que parecia me encarar também. Olhei o Sol pelas frestas da persiana com receio de que algum raio pudesse te acordar. Eu achava que todas as pessoas pareciam somente calmas enquanto dormiam, não digo que você não parecia também, mas ainda assim mantinha um ar de sarcasmo. Hoje eu percebi o quão apaixonante esse sarcasmo é por ferir a minha insensibilidade. Naquele momento eu poderia jurar que você estava de alguma forma me testando, analisando todos os meus movimentos para depois questioná-los. Você é tão onipresente em minha vida que é difícil descartar essa hipótese. Queria muito poder ficar mais um pouco só para repetirmos a mesma cena das manhãs atemporais... Seu olhar amargo a me ver tomando café sem açúcar e o meu de náusea ao te ver derrubando o açucareiro dentro da xícara. Sinto falta de nos vermos discutindo para ver quem vai ler a seção cultural do jornal antes. Sabia que eu nem faço tanta questão assim? Prefiro a parte de notícias internacionais. De qualquer forma, deixei o jornal intocado perto da porta. Você está dormindo e eu ainda não consegui me despedir. Será que se eu ficar me despedindo eternamente você acordará um dia?
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Como eu pude?
Impressionante como não consigo controlar meus impulsos quando te vejo disponível.
Você mal sabe quanto tempo da minha vida eu gasto fantasiando situações nas quais eu me exponho e você me expulsa.
Mal sabe as associações inusitadas que faço só pra lembrar como nossos olhares dialogam.
Como você não pode. Eu sei.
sábado, 24 de janeiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Esses rótulos poluem o seu semblante.
Por hoje:
Encontrei-me deitada em uma sala clara. Fitei minhas pernas descobertas e percebi uma reação alérgica. Elas estavam inchadas e com diversas manchas vermelhas.
Um médico chegou e sentou-se ao pé da cama, tentou algum tipo de aproximação, mas eu senti nojo. Não quero essa pessoa perto de mim.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Estávamos numa varanda feita de lambri. Deitei ofegante e R sentou-se atrás da minha cabeça. Acabara de encher meu peito de ar quando R me beijou. Assim mesmo, de cabeça pra baixo. Durou uma eternidade.
Levantei e voltei a correr.
Deparei-me com um campo de grama bem verde, porém sem árvores ou qualquer tipo de intervenção. Umas 25 ou 30 pessoas andavam de bicicleta. Disseram-me que pedalavam para o Sul e chegaram a me chamar para acompanhá-los, mas eu recusei o convite porque a correria me cansara.
De repente, um anzol enganchou na ponta do meu indicador da mão esquerda e comecei a gritar de dor.
Ninguém atendeu, então eu apertei os olhos e me calei.